Aprendizagem e competência no setor solar fotovoltaico

Por Siqueira Neto, Rodrigo Sauaia e Ronaldo Koloszuk

Trabalhadores fotovoltaicos experientes não estão disponíveis em todos os mercados ou áreas geográficas do País, havendo uma demanda elevada no setor por mais profissionais capacitados. Por isso, as qualificações de profissionais vendedores, projetistas, instaladores e inspetores de comissionamento são estratégicas para o setor.
É necessário um processo de capacitação contínua, que traga excelência nas áreas técnicas e comerciais. Há disversos cursos disponíveis no País, porém, de qualidades bastante variáveis.
Uma empresa integradora necessita de um profissional especializado atuando em campo. Ele será o responsável por implementar o sistema fotovoltaico conforme projetado, seguindo as recomendações dos fabricantes dos equipamentos.
A função exige preparo para a correta tomada de decisões na implementação do sistema. Por vezes, características únicas da instalação exigirão do supervisão decisões específicas para o projeto, influenciando a segurança, qualidade e desempenho do conjunto.
A integração do sistema solar fotovoltaico deve ser realizada por empresa com experiência prévia comprovada e que capacite periodicamente seus profissionais. A experiência de trabalho reduz riscos de problemas na instalação, dado que os sistemas solares fotovoltaicos são complexos, com componentes elétricos e mecânicos, demandando conhecimentos específicos. Antes de qualquer instalação, as estruturas dos telhados devem ser avaliadas, em alguns casos, com a emissão de laudos técnicos, e a infraestrutura elétrica deverá passar por inspeção prévia.
Para lidar com essas complexidades, aplicam-se os conceitos de competência organizacional e competência individual. Quando há informação relevante à disposição, para direcionar as ações organizacionais, as empresas encontram formas rotineiras de explorá-las. Uma alta competência organizacional pode ser atingida por meio do aperfeiçoamento e da prática de habilidades rotineiras.


Para organizações e indivíduos, a aprendizagem conduzida por meio de respostas de curto prazo pode trazer resultados. Porém, a competência enfoca a prática, bem como as respostas a desafios anteriores, no processo de aprendizagem. Assim, a experiência se acumula gradualmente. Recomenda-se um plano de gerenciamento da qualidade, com todos os elementos da política de atendimento ao cliente, garantia de qualidade e performance do sistema fotovoltaico. O plano deve ser distribuído a todos os funcionários, com seus componentes e objetivos. Uma forma prática e padronizada de fazê-lo para as empresas já estruturadas é por meio da ISO 9001:2008.
A principal meta de uma empresa solar fotovoltaica deve ser o desempenho de longo prazo do sistema para seus clientes. Isso dependerá da forma como o sistema será instalado, operado e mantido. Deve-se evitar erros de projeto, minimizados por visita técnica, cálculos de sombreamento e dos riscos de degradação dos equipamentos, como em ambientes altamente salinos ou corrosivos.
Um bom projeto não recobre de módulos fotovoltaicos toda a superfície de um telhado, impossibilitando a posterior operação e manutenção. Deve-se deixar espaço suficiente para o fácil acesso e movimentação ao redor deles. Andar sobre os módulos é terminantemente proibido, dado que microfissuras poderão se formar, danificando o equipamento, ocasionando hotspots ou pontos quentes, que aceleram a degradação dos módulos, levando a problemas de desempenho, riscos à segurança e perda da garantia dos equipamentos por manipulação inapropriada.
Embora projetado para intervenção mínima, um sistema solar fotovoltaico não funciona sozinho. A escolha de componentes e equipamentos deve garantir que o sistema atenda às expectativas de performance de longo prazo do cliente. O monitoramento da geração de energia elétrica serve de referência para sua performance ao longo do tempo. A análise regular do desempenho do sistema permite antever sinais de degradação ou desvios de performance e agir preventivamente. Isso proporciona maior valor ao cliente final, assegurando melhor desempenho e maior retorno sobre o investimento, fortalecendo a reputação da empresa responsável.
Para a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), a geração distribuída solar fotovoltaica é uma oportunidade tanto para a iniciativa privada, quanto para instituições governamentais, com a possibilidade de geração de milhares de postos de trabalho e o fomento à inovação. Com avanços em aprendizagem e competência, espera-se ampliar a competitividade das empresas solares fotovoltaicas brasileiras, afinal, o futuro é promissor. A Bloomberg New Energy Finance projeta que, em 2040, a energia solar fotovoltaica será a fonte elétrica número um do Brasil, ultrapassando a fonte hídrica. Para chegar lá, muitos profissionais deverão ser treinados e qualificados.

  • Siqueira Neto é CEO da Elektsolar e coordenador da Força Tarefa de Capacitação e Certificação da Absolar
  • Rodrigo Sauaia é presidente executivo da Absolar
  • Ronaldo Koloszuk é presidente do Conselho de Administração da Absolar

Fonte: www.osetoreletrico.com.br